Sobre mim
Não criei este espaço para brincar de intelectual nem para usar a filosofia como enfeite verbal para pessoas impressionáveis. Este site foi criado porque me cansei da combinação de opiniões precipitadas, cultura superficial e linguagem vaga apresentada como pensamento sério. O que faço aqui é fruto de estudo, confronto, disciplina e um tipo de inquietação que não aceita a distorção da realidade quando ela é mal nomeada, mal interpretada ou reduzida a slogans confortáveis. Minha formação inclui Administração, um MBA Executivo em Gestão de Negócios e a Licenciatura em Filosofia que estou cursando atualmente. No entanto, seria simplista me reduzir a um diploma, como se um papel fosse sinônimo de inteligência e não apenas um vestígio burocrático do esforço real. O que realmente importa é a criação de uma vida intelectual pautada na análise, rigor e compromisso com a verdade.
Com o passar dos anos, fui construindo um trajeto que não se encaixa no modelo domesticado do especialista de prateleira. Minha pesquisa é interdisciplinar por necessidade, não por vaidade. Atuo na interseção de filosofia, metafísica, lógica, retórica, análise simbólica, crítica cultural e leitura civilizacional, pois a realidade não é segmentada em departamentos para simplificar a vida de quem pensa superficialmente. Ministro aulas particulares e atuo como professor e pesquisador independente. Meu objetivo sempre foi promover o discernimento, e não apenas transmitir conhecimento. Conteúdo, qualquer um acumula. O desafiador é instruir alguém a discernir o que é conceito e o que é propaganda, o que é símbolo e o que é delírio, o que é linguagem e o que é fuga.
Por esse motivo, o antigo modelo do Trivium e do Quadrivium deixou de ser, para mim, um mero interesse histórico e passou a ser um critério ativo de formação. Gramática, lógica e retórica não são meros adornos tradicionais; são ferramentas para evitar ser enganado, tanto por si mesmo quanto pelos outros. Quando entendidas em seu sentido mais elevado, a aritmética, a geometria, a música e a astronomia reeducam a inteligência para a ordem, a medida e a estrutura. Meu trabalho busca resgatar precisamente isso: uma mente capaz de raciocinar sem se perder em emoções, modismos ou histeria ideológica. Em um mundo que valoriza respostas prontas e indignação alheia, refletir de maneira estruturada tornou-se quase um ato de rebeldia.
Uma parte desse trabalho me levou a um problema que raramente é considerado: a pobreza da linguagem quando tenta alcançar certos limites. Muitas pessoas discutem temas extremos usando palavras desgastadas, como se o vocabulário tradicional fosse suficiente apenas por estar presente há séculos. Não é suficiente. Alguns dos conceitos que venho desenvolvendo surgiram desse atrito com a insuficiência das palavras. Ex-Mortes, por exemplo, não surgiu como um capricho verbal, mas como uma tentativa de designar um limite metafísico em que a morte já não é capaz de explicar a remoção radical de um ser do circuito de permanência. A palavra era essencial, pois, sem ela, o pensamento ficava incompleto. E quando a mente vacila, o indivíduo atribui o que é apenas confusão de ideias a um mistério.
Sintomata se aplica da mesma forma. O termo surgiu da necessidade de diferenciar entre sentimentalismo religioso superficial e um campo mais rigoroso de sinais, sintomas e marcas em que o sagrado parece interagir com o corpo, o símbolo e os acontecimentos, sem ser reduzido nem à emoção devocional nem à patologização automática da experiência intensa. O problema nunca foi apenas "sentir Deus", uma expressão vaga que parece resolver tudo sem oferecer explicações. O desafio sempre foi: como refletir, de maneira honesta, sobre os vestígios verificáveis de uma manifestação sem sucumbir ao delírio piedoso ou ao deboche materialista de laboratório. Sintomata surgiu não como um perfume metafísico, mas como uma ferramenta de precisão para preencher uma lacuna concreta na linguagem.
Nesse sentido, elaboro outras formulações próprias focadas na análise da dissolução espiritual, do sincretismo extremo e das falsas promessas de redenção intramundana. Dentre essas expressões, há In-Gnose, concebida como o nome do processo pelo qual sistemas religiosos perdem sua forma, diluem seus contornos e acabam reduzidos a uma massa amorfa de práticas, símbolos e discursos sem eixo claro; e Messianismo Apofático, expressão que utilizo para descrever determinadas estruturas ideológicas modernas que prometem uma redenção histórica absoluta sem transcendência real, como se a salvação pudesse ser criada por meio de políticas, técnicas ou dialéticas. Em todos esses casos, o ponto é o mesmo: quando a linguagem não faz distinções, a mente se confunde; e quando a mente se confunde por tempo demais, toda a cultura apodrece junto.
Desse mesmo impulso surgiram também modelos analíticos próprios, como a Análise por Gnose, o Hexagrama da Perdição, o Triângulo de Proteu, o Triângulo da Rotatividade Interior, o Círculo da Transcendência Apofática, o Decaimento Gnóstico de Economias e a Pirâmide da Decadência. Esses modelos não foram concebidos como brinquedos teóricos para impressionar um leitor deslumbrado, mas como ferramentas de leitura. São utilizados para identificar padrões de falhas intelectuais, declínio simbólico, distorção moral e desconexão entre pensamento e realidade. Em outras palavras, são esforços para identificar o momento em que uma cultura começa a mentir para si mesma com tanta frequência que perde a capacidade de diferenciar doença de identidade.
Neste espaço, quem lê não encontrará o conforto de um texto domesticado, de uma opinião higienizada ou de uma análise que simula neutralidade para parecer sofisticada. Acredito que pensar de verdade vai além de ter repertório; é preciso coragem para desmascarar ilusões, criticar idolatrias contemporâneas, desconstruir narrativas sedutoras e sustentar uma visão de mundo baseada em critérios reais. Não vejo a filosofia como um ornamento, a cultura como um passatempo ou a religião como um zoológico folclórico para curiosidade na internet. Levo as ideias até o ponto em que elas ferem, pois a maior parte da ruína humana começa exatamente quando as pessoas se recusam a seguir o raciocínio até o final.
É por essa razão que este site foi criado. Não para acumular textos, mas para criar uma inteligência mais resistente à desordem temporal. Não para criar ruído com palavras bonitas, mas para nomear o que ainda é mal visto, mal pensado e mal compreendido. Não para entorpecer o leitor com erudição superficial, mas para forçá-lo a buscar alguma clareza em um mundo que se beneficia da confusão interna. O que realmente me importa é simples, mas desafiador: refletir sobre a realidade com a seriedade necessária para não traí-la. O restante é apenas aparência.
Experiência:
Título do Cargo no Círculo de Estudos Nous
Publisher Independente
Em termo mais formal esse é o meu próprio veículo de notícias sem uma grande equipe por trás.
"Meu Currículo Religioso á uma Empresa Cultural Chamada Lacrolândia"
Escrevo dez de 2020
Não cheguei ao catolicismo por inércia, tradição familiar ou receio de reflexão. Cheguei por exaustão intelectual diante do erro recorrente e, antes disso, por uma jornada extensa demais para ser resumida no depoimento simples de quem nasceu com uma resposta pronta e nunca teve que buscar. Se hoje há muitas pessoas falando sobre “lugar de fala” para opinar sobre tudo, ao menos nisso posso sorrir sem pressa: eu entrei, pratiquei, permaneci, observei por dentro e saí. Não falo como um visitante do sagrado, mas como alguém que percorreu muitos corredores até perceber quais não levavam a lugar algum.
Por volta dos treze anos, eu não tinha fé em nada. Ou, pior ainda, acreditava naquela suposta lucidez adolescente que, na realidade, não passa de negação sem método. Após isso, iniciei o percurso inverso: me aprofundei em uma religião após outra, sistema após sistema, rito após rito, como se estivesse em busca de um lugar onde o espírito e a inteligência finalmente cessassem suas disputas. Passei por denominações protestantes, tive contato com o budismo, busquei conexões com o judaísmo, estudei o islã de forma aprofundada sem me converter, e explorei áreas mais esotéricas e ritualísticas, como Wicca, Umbanda, Quimbanda, Voodoo, Telema e Cabala prática. Para mim, essa última nunca foi apenas uma curiosidade de estante, pois sempre teve uma ligação familiar e concreta. Não se tratava de um colecionismo religioso. Era procura. Havia confronto. Era o esforço, ora confuso, ora brutal, para determinar onde a experiência terminava e a mentira começava.
Por anos, vivi quase como alguém que muda de religião a cada ano ou ano e meio, não por superficialidade, mas por sinceridade intelectual. Eu entrava enquanto a estrutura aparentava oferecer alguma coerência, permanecia o tempo necessário para verificar se o sistema se sustentava internamente, e saía assim que a casa começava a ruir sobre sua própria gramática. Porque mistério e contradição disfarçada de profundidade são coisas distintas. O mistério aguça a inteligência ao apresentar um limite concreto. A contradição mal resolvida apenas exige que você desligue a razão e a chame de fé, energia, vibração, expansão de consciência ou qualquer outro nome adornado que os tempos criam para não admitir o próprio caos.
Foi dessa forma que comecei a notar as rachaduras, uma a uma. Muitos desses caminhos apresentavam intensidade, simbolismo, vigor psicológico e até experiências bastante significativas, porém careciam de solidez. Havia muita linguagem e pouca verdade. Existia um rito desprovido de metafísica, transcendência superficial, promessa de ascensão espiritual com escada apoiada no nada. Nunca consegui respeitar um sistema que demandasse da minha inteligência o suicídio em troca de conforto. Se uma religião não conseguia se manter nem em sua própria lógica interna e se desmoronava ao ser confrontada com os princípios fundamentais de identidade, causalidade, forma, fim, ato e potência, então eu fazia o que a maioria das pessoas evita por covardia emocional: eu me afastava. Eu enviava minha mensagem, fechava a porta e seguia em frente. Porque sempre optei pela dor de deixar um erro para trás em vez da humilhação de permanecer nele.
Sócrates me ensinou precocemente que a honestidade se inicia quando o indivíduo deixa de simular que sabe. Platão me ensinou que não é suficiente sentir; é necessário ascender. Aristóteles me ensinou que a verdade não pode estar em conflito com a natureza da realidade. Após realmente aprender isso, não é mais possível considerar qualquer sopa espiritual como sabedoria apenas porque ela é adornada com símbolos antigos, nomes estrangeiros e promessas de iluminação. Existem religiões e correntes que perduram simplesmente porque ninguém as questiona profundamente. Eu realizei. E quando as fiz, muitas delas desmoronaram com uma facilidade quase irritante.
Portanto, minha jornada espiritual nunca foi a do devoto acomodado, mas a do homem que experimentou as divindades lhe apresentadas e, gradualmente, identificou quais eram apenas reflexos psicológicos, construções sincréticas ou sistemas incapazes de sustentar sua própria pretensão de verdade. Observei de perto como as pessoas confundem intensidade com transcendência, mudança de consciência com revelação e eficácia simbólica com verdade metafísica. Observei que muitos contextos religiosos se apoiam na repetição de experiências intensas para evitar questionamentos profundos. Observei o quanto as pessoas preferem se deixar levar por algo a ter que avaliar se aquilo realmente é considerado sagrado.
Somente em 2018 eu consegui me estabelecer na Igreja Católica. E não se tratou de uma escolha sentimental, estética ou folclórica. Foi uma entrega da inteligência ao único ponto em que ela não precisava mais se sacrificar para manter a fé. Após percorrer tantos sistemas, tantas doutrinas instáveis, tanto sincretismo disfarçado de profundidade e tantas promessas espirituais que não resistiam a um exame sério, encontrei no catolicismo aquilo que os demais apenas reproduziam em fragmentos: coerência. Coerência metafísica. Coerência ética. Coerência temporal. Coerência simbólica. Coerência sacramental. Harmonia entre fé e razão. Pela primeira vez, não era necessário optar entre rezar e pensar. Não era necessário disfarçar a contradição como um mistério. Não era necessário anestesiar a lógica para preservar a devoção.
O catolicismo não me conquistou por tradição. Venceu porque foi o único que aguentou o peso da questão na íntegra. Foi o único em que o ser, a verdade, a natureza humana, a moral, a transcendência, o sofrimento, a redenção e a finalidade da existência não eram apresentadas como elementos improvisados de um sistema emocionalmente convincente, mas como componentes de uma estrutura concreta. Após explorar diversas religiões, finalmente encontrei uma que não precisava recorrer à desordem para aparentar profundidade. E isso, para alguém que passou anos transitando de uma tradição para outra, tem mais valor do que qualquer êxtase.
Portanto, se eu precisasse resumir minha trajetória religiosa de forma honesta, diria o seguinte: não nasci católico no sentido intelectual da palavra; tornei-me. Antes disso, percorri uma parte considerável do labirinto religioso e esotérico brasileiro para ainda me deixar impressionar por qualquer fumaça com um nome bonito. Entrei em muitos lugares, vi muita coisa por dentro, saí de quase todos quando percebi que não se sustentavam nem perante si mesmas, e só parei quando encontrei um lugar em que a verdade não precisava pedir desculpas à lógica. Desde esse momento, deixei de praticar qualquer uma dessas antigas rotas. Não por receio delas, mas porque já as conheci o bastante para entender o que são, o que prometem e, sobretudo, o que não são capazes de cumprir.
Em suma, minha jornada espiritual não foi a de alguém que acumulou religiões, mas a de quem foi descartando equívocos até encontrar uma verdade que permanecia quando a razão iluminava.


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